Poker e Negócios: O poder do Networking

pessoas jogando poker

Poker e Negócios: O poder do Networking

pessoas jogando poker

Existe uma frase frequentemente atribuída a Platão que resume a essência deste artigo: “Você pode descobrir mais sobre uma pessoa em uma hora de jogo do que em um ano de conversa.”

No mundo corporativo, todos nós usamos máscaras. Em reuniões, somos polidos, calculados e dizemos o que o outro quer ouvir. Mas coloque essas mesmas pessoas em uma mesa de poker (ou em uma quadra de esporte competitivo) e as máscaras caem.

Na Resenha Company, vemos o esporte e o jogo não como passatempos, mas como ferramentas de validação de caráter e construção de laços profundos. O poker, especificamente, é o “MBA prático” mais barato e eficaz que existe.

Quer saber se deve fechar negócio com alguém? Convide essa pessoa para jogar.

 

O Soro da Verdade Corporativo

O poker simula a vida real dos negócios com uma precisão assustadora. Envolve tomar decisões difíceis, com informações incompletas, sob pressão financeira.

Quando as fichas estão no pano, você descobre quem é quem:

O Conservador: Aquele que nunca aposta a menos que tenha certeza absoluta (e perde oportunidades de mercado por medo).

O Agressivo: Aquele que blefa demais e corre riscos desnecessários (pode quebrar a empresa por imprudência).

O Emocional: Aquele que perde uma mão e entra em “tilt”, tomando decisões ruins seguidas para tentar recuperar o prejuízo (não sabe lidar com crises).

Observar como seu potencial sócio ou cliente lida com a vitória e, principalmente, com a derrota, vale mais que mil relatórios de Due Diligence.

 

O Grande Equalizador

Uma das maiores magias da mesa de poker é a quebra de hierarquia. Quando as cartas são distribuídas, o cargo de CEO, estagiário, diretor ou investidor desaparece. Todos são jogadores sujeitos às mesmas regras e à mesma sorte.

Isso cria um ambiente de acessibilidade único. É muito difícil conseguir 4 horas de atenção de um grande executivo no escritório dele. Mas, em um torneio ou Home Game, você passa horas sentado ao lado dele, trocando ideias, rindo e competindo de igual para igual.

Essa proximidade cria uma intimidade que e-mails e reuniões de Zoom jamais conseguirão replicar.

 

Gestão de Risco e Tomada de Decisão

Além do networking, o poker treina o cérebro do empreendedor. O conceito de Valor Esperado (EV) é fundamental tanto no jogo quanto na empresa. Bons jogadores não focam no resultado imediato (ganhar ou perder a mão), mas na qualidade da decisão. Se você tomou a decisão matematicamente correta e perdeu por azar, você continua jogando certo. Nos negócios, isso é vital. Muitas vezes, acertamos na sorte ou erramos fazendo a coisa certa. O poker ensina a separar o ruído (sorte/azar) do sinal (estratégia/competência), criando líderes mais frios e analíticos.

 

A Resenha Pós-Jogo

Embora o jogo seja tenso e estratégico, o ambiente ao redor dele é de pura descontração. Os intervalos, o jantar durante o jogo e as conversas entre uma mão e outra são onde o business acontece.

A guarda está baixa. A adrenalina gerou uma ligação emocional entre os participantes. É nesse momento que você comenta sobre aquele projeto, pede aquela opinião ou marca o almoço da semana seguinte. O contrato não é assinado na mesa de feltro, mas é lá que a confiança necessária para assiná-lo é forjada. Seja no poker, no tênis ou no beach tennis, o princípio é o mesmo: suor e competição geram conexão. Pare de tentar forçar interações em ambientes estéreis. Leve seus negócios para a “quadra” ou para a mesa. Você vai se divertir, vai treinar sua mente e, de quebra, vai construir o networking mais sólido da sua vida. Afinal, quem joga junto, cresce junto.

 

1. Preciso ser um profissional de poker para participar?

De jeito nenhum. A maioria dos eventos de networking com poker foca na experiência e na diversão (Home Games). Saber as regras básicas é importante para o fluxo do jogo, mas ser um expert não é necessário. Muitas vezes, o iniciante simpático faz mais negócios que o pro chato.

2. O poker não é considerado jogo de azar?

No Brasil e na maioria do mundo, o poker é reconhecido como um esporte da mente, assim como o xadrez. Embora exista o elemento sorte a curto prazo, a habilidade prevalece a longo prazo. É um jogo de habilidade, estatística e psicologia.

3. Como convidar um cliente para jogar sem parecer vício?

O contexto é tudo. Convide para um "Poker & Pizza" entre amigos, um evento beneficente ou um torneio organizado por uma confraria de negócios. A ênfase deve estar no encontro e na experiência social, não na aposta financeira.

4. O que fazer se eu não gosto de cartas?

O princípio do "Networking na Quadra" vale para qualquer esporte. Golfe, Tênis e Beach Tennis cumprem a mesma função: longos períodos de convivência, competição saudável e quebra de formalidade. Encontre o jogo que seu público-alvo pratica.

Antônio Santos

Head de Digital Selling, Unilever

Com passagens por algumas das mais relevantes empresas do mundo como Coca-Cola, Delta Airlines, BAT, Holcim, Localiza e Unilever, liderou equipes de vendas e marketing no desenvolvimento de estratégias de marca, lançamento de produto, RTM, precificação, aquisição de clientes e digitalização de jornadas. Investidor em startups de educação e inteligência artificial, atua como Professor de Marketing na Fundação Dom Cabral e mentor no G4 Educação.

gustavo aguiar

Diretor de Marketing, Nestlé

Diretor de Marketing Integrado na Nestlé, lidera estratégias que conectam marcas a milhões de pessoas por meio de soluções em branding, mídia, conteúdo e design. Com mais de 20 anos de experiência, já atuou em multinacionais como Johnson & Johnson e 99, unindo visão empreendedora à transformação digital.

Founder

EDUARDO PICARELLI

Diretor de Marketing, Heineken

Após mais de 20 anos liderando estratégias de marketing e vendas em marcas globais, Eduardo hoje equilibra dois mundos: é Diretor de Marketing da Heineken no Brasil e sócio da Resenha Company. Sua missão? Conectar grandes empresas ao maior ecossistema de networking do país.